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Assine e compartilhe o abaixo-assinado contra a Reforma da Previdência

A proposta de reforma da Previdência do governo de Jair Bolsonaro é considerada uma das mais nefastas da América Latina, tendo em vista experiências semelhantes em outros países. Milhares de brasileiros e brasileiras foram às ruas no dia 1° de Maio e provaram que vão lutar por sua aposentadoria.

O documento contra a reforma de Bolsonaro será entregue aos parlamentares para que eles rejeitem a proposta que vai acabar com a aposentadoria do trabalhadora e do trabalhador brasileiros

Baixe aqui o abaixo-assinado contra a reforma da Previdência e que será entregue aos parlamentares:

http://bit.ly/2Y5gVDY

Goiás tem apenas dois representantes na Comissão Especial que vai analisar a reforma da Previdência

Goiás tem apenas 2 representantes na Comissão Especial da Reforma da Previdência, instalada na última quinta-feira (25) na Câmara dos Deputados e um deles é o deputado federal Rubens Otoni (PT-GO). O parlamentar criticou o projeto apresentado pelo governo Bolsonaro: “Esta proposta não é uma reforma da previdência, é o fim da aposentadoria pública para abrir caminho para os planos de aposentadorias privados.”

O deputado também é membro da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) e votou contra a admissibilidade da proposta, que foi aprovada na semana passada. Apesar da admissibilidade da proposta, o governo precisou alterar o projeto inicial. Otoni afirma que o governo teve muita dificuldade na CCJC, pois esta comissão não analisa o mérito da proposta. “Normalmente o projeto é analisado na CCJC em apenas 48 horas, o governo precisou de dois meses para conseguir aprovar a proposta, e com alterações”, explica.

Rubens destaca que até aqueles que apoiam o governo não têm coragem de defender esta reforma. “É uma proposta injusta e cruel, não corta privilégios e inviabiliza a aposentadoria da maioria dos trabalhadores”. O deputado defende que é preciso debater com a sociedade os que realmente está por trás deste projeto apresentado pelo governo Bolsonaro. “Na Comissão Especial vamos  promover um amplo debate em audiências públicas na comissão e junto à sociedade. Queremos mostrar à população que essa reforma só tem propaganda, que ela tira direitos e não privilégios.”

Comissão Especial da Reforma da Previdência

A comissão especial é composta por 49 membros e 49 suplentes de 25 partidos com representação na Câmara. Na comissão especial, será examinado o mérito da proposição, e terá o prazo de 40 sessões do plenário, para aprovar um parecer.

Na Comissão Especial poderão ser apresentadas emendas, com o mínimo de 171 assinaturas de deputados cada uma, no prazo de dez sessões do Plenário. Após a publicação do parecer da comissão especial e o intervalo de duas sessões, a proposta será incluída na ordem do dia do Plenário da Câmara, onde será submetida a dois turnos de discussão e votação.

Leia os principais trechos da primeira parte da entrevista de Lula

Desde que a aguardada entrevista de Lula foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que fez valer o que manda a lei após intensa queda de braço entre imprensa e instâncias jurídicas, todas as atenções se voltaram para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, local que tornou-se a materialização das injustiças cometidas contra o ex-presidente e onde ele recebeu nesta sexta-feira (26) as equipes de reportagem dos jornais da Folha de S. Paulo e El País.

As aparições públicas de Lula, desde que a prisão política foi decretada em 7 de abril de 2018, foram sempre carregadas de expectativas. Mas desta vez era ele quem havia decidido estar ali, de coração aberto, pronto para responder a qualquer questionamento. Lula não é e nem nunca foi um homem comum e, dadas as saudações iniciais, o que se viu desde a primeira pergunta foi uma análise precisa e franca sobre a vida pessoal, a obsessão em provar a própria inocência, os abusos de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol e, claro, sobre tudo o que acontece no Brasil de hoje, governado por alguém que é exatamente o seu oposto no trato com as pessoas, com as instituições, com a democracia.

“Eu trabalho muito para vencer a questão do ódio, a questão da mágoa profunda. Eu tenho muitos momentos tristes aqui, mas o que me mantêm vivo? Eu tenho um compromisso com este país”, reiterou Lula.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

Sobre Sérgio Moro e Dallagnol
“Tinha muita gente que achava que eu deveria sair do Brasil, tinha muita gente que achava que eu deveria ir para alguma embaixada, tinha muita gente que achava que eu poderia fugir. E eu tomei como decisão que meu lugar é aqui. Eu tenho tanta obsessão em desmascarar o Moro, em desmascarar o Dallagnol e a sua turma, desmascarar aqueles que me condenaram que eu ficarei preso 100 anos, mas eu não trocarei a minha dignidade pela minha liberdade. Eu quero provar a farsa montada. Montada aqui dentro, montada no Departamento de Justiça dos EUA, com depoimentos de procuradores, com vídeos gravados e agora mais agravado com a criação da fundação criança & Esperança do Dallagnol pegando 2,5 milhões da Petrobras”.

“Havia uma briga no sindicato aquele dia entre os que queriam que eu viesse e os que não queriam que eu viesse. Mas eu tomei a decisão: eu vou. Não vou esperar que eles venham até mim. Eu vou até eles porque eu quero ficar perto do Moro. Eu tenho que provar a minha inocência. Eu tenho certeza que eu durmo todo dia com a minha consciência tranquila e que Moro e o Dallagnol não dormem. E os juizes do TRF-4 que nem leram a sentença?”.

“Sei muito bem qual lugar que a história me reserva. E sei também quem estará na lixeira (…) Quando vejo essa gente que me condenou na televisão, sabendo que eles são mentirosos, sabendo que eles forjaram uma história, aquela história do powerpoint do Dallagnol, aquilo nem o bisneto dele vai acreditar naquilo. Esse messianismo ignorante, sabe? Então eu tenho muitos momentos de tristeza aqui. Mas o que me mantém vivo, e é isso que eles têm que saber, eu tenho um compromisso com este país, com este povo (…) Sempre riram de mim porque eu falava ‘menas’. Agora, o Moro falar ‘conje’ é uma vergonha”.

Resistência Lula
“Eu não tenho ódio, não guardo mágoa. Na minha idade quando a gente fica com ódio ou mágoa a gente morre antes. Eu quero viver até os 120 porque eu acho que sou um ser humano que nasceu para viver até os 120 eu vou trabalhar muito para provar a minha inocência”.

“Quem tem 73 anos de idade, quem construiu a vida que eu construí neste país, quem estabeleceu as relações que eu estabeleci, quem fez o governo que eu fiz neste país, quem recuperou o orgulho e autoestima do povo brasileiro, não pode se entregar. Então eles sabem que têm aqui um pernambucano teimoso”.

“Quem nasceu em Pernambuco e não morreu de fome até os cinco anos de idade não se curva mais a nada.”

“Vocês acham que eu não gostaria de estar em casa? Adoraria estar em casa com a minha mulher, adoraria estar em casa com meus filhos, adoraria estar em casa com os meus netos, adoraria estar em casa com os meus companheiros, mas não faço nenhuma questão porque eu quero sair daqui com a cabeça erguida como eu entrei. E inocente. Eu só posso fazer isso se eu tiver coragem de lutar por isso”.

Sobre a Justiça e o STF
“Eu penso que haverá um dia em que as pessoas que irão me julgar estarão preocupadas com os autos do processo, com as provas contidas no processo e não com a manchete do Jornal Nacional, não com a capa das revistas e não com as fake news. As pessoas se comportarão como juízes supremos”.

“Essa corte [STF] já tomou decisões muito importantes. Votou células tronco contra boa parte da Igreja Católica, votou a questão da Serra do Sol contra os poderosos do arroz em Roraima, votou a união civil (homoafetiva) contra todo o preconceito evangélico, essa corte votou as cotas nas universidades para que os negros pudessem entrar. Ela já demonstrou que teve coragem e se comportou. Agora no meu caso a única coisa que eu quero é que vote de acordo com os autos do processo”.

Desgoverno Bolsonaro
“Vamos fazer uma autocrítica geral nesse país. O que não pode é esse país estar governado por esse bando de maluco que governa o país. O país não merece isso e sobretudo o povo não merece isso (…) Imagine se os milicianos do Bolsonaro fossem amigos da minha família?”

Da Redação da Agência PT de Notícias

Reforma da previdência: “É preciso esclarecer todos os pontos que o governo tenta esconder”

O deputado federal Rubens Otoni (PT) concedeu entrevista ao Programa Manhã Sagres na Rádio Sagres na manhã desta sexta-feira (26). O parlamentar falou sobre a proposta de Reforma da Previdência e explicou sobre a tramitação deste projeto em Brasília.

Otoni afirma que esta proposta vai inviabilizar a previdência. “É preciso que a população saiba o que realmente está por trás desta proposta e na Comissão Especial será possível debater e esclarecer todos os pontos que o governo tenta esconder.”

Confira a entrevista na íntegra para entender:

Rubens Otoni defende que Anápolis mantenha sua delegacia da Receita Federal

O deputado federal Rubens Otoni (PT-GO) em entrevista à Rádio Manchester FM de Anápolis, defendeu que o município mantenha sua delegacia da Receita Federal, que corre o risco de ser transformada pelo governo federal em uma agência, o que pode provocar graves prejuízos para a cidade. “A visão do governo Bolsonaro é equivocada, um verdadeiro retrocesso, onde as prerrogativas serão outras e o atendimento será limitado” explicou.

O parlamentar disse que já existe um trabalho em Brasília junto às lideranças da Receita Federal para buscar mais informações sobre o assunto e alertou que é preciso que os anapolinos se mobilizem para pressionar o governo federal e evitar este prejuizo para a cidade.

Confira a entrevista completa:

 

 

Aposentado que recebe R$ 2.231 é rico, diz governo Bolsonaro

Para justificar o discurso do governo de que a reforma da Previdência “combate privilégios”, o ministro da Economia de Jair Bolsonaro (PSL), o banqueiro Paulo Guedes, afirma textualmente no documento anexo ao texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 06/19) que o trabalhador que se aposenta com um benefício de R$ 2.231 é rico. Pobre, diz o texto, é aquele que recebe R$ 1.252 de aposentadoria.

Bolsonaro concordou integralmente com essas argumentações que constam dos itens 50 e 51 do documento (leia abaixo) e levou pessoalmente o texto da PEC para a Câmara dos Deputados, onde a proposta está tramitando, e falou várias vezes nas redes sociais e para imprensa que a reforma combate privilégios. O privilegiado, como deixa claro o texto, é o trabalhador que recebe do INSS menos de R$ 2.500.

“É um escracho, uma desfaçatez”, reage o presidente da Confederação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores nas Indústrias de Construção e da Madeira (Conticom-CUT) ao tomar conhecimento do teor dos itens que falam sobre os “privilegiados”.

Para o dirigente, o governo ignora os índices de desemprego e a alta rotatividade de categorias como a sua que ficam longos períodos desempregados, fazendo bicos para sobreviver e, portanto, sem condições de pagar INSS.

“A maioria dos trabalhadores e trabalhadoras da construção civil se aposenta com apenas um salário mínimo porque não consegue contribuir nos intervalos entre uma empreitada e outra, que muitas vezes são grandes. É um desrespeito essa afirmação do governo”, critica o dirigente, ao comparar os salários da categoria, que variam de R$ 1.200 a R$ 1.700, com as justificativas apresentadas por Paulo Guedes para aprovar a reforma da Previdência.

Claudinho lembra que somente mestres de obras e encarregados conseguem salários de mais de dois mil reais e, mesmo assim, suas aposentadorias não passam de um salário mínimo.

“Além disso, dificilmente alguém consegue emprego depois dos 45 anos porque os patrões sabem que ele tem problemas de saúde, de desgaste físico. Os empresários não contratam trabalhadores mais velhos. E se aumentar o tempo de contribuição de 15 para 20 anos, aí mesmo que ninguém se aposenta”.

O dirigente diz que penalizar o trabalhador, especialmente da construção civil, com o aumento do período de contribuição o fará sair em busca do Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos pobres a partir de 65 anos.

“Mas se a reforma da Previdência passar e o BPC for reduzido para R$ 400, aí serão mais miseráveis, sem condição digna para viver, sequer para pagar seus remédios”, diz.

Reforma transfere renda para os bancos

Para a professora de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Denise Gentil, a ideia do governo com a reforma da Previdência não é combater privilégios, como eles afirmam nas entrevistas, propagandas, lives nas redes sociais e audiências públicas e, sim, transferir renda para os bancos privados.

“O governo quer pegar a parcela da população que ainda tem carteira assinada e que ganha um pouco mais para passar ao regime de capitalização. Eles querem transferir renda para os bancos privados porque a reforma da Previdência não reduz gastos nem gera empregos em curto prazo”, afirma a economista.

Ela critica a justificativa do governo de que falta recursos para não realizar novos investimentos e construir políticas de geração de empregos, num momento de crise econômica, uma vez que, ao mesmo tempo, o governo propõe transferir a arrecadação para os bancos com a capitalização da Previdência.

“Se o governo tivesse a intenção de combater privilégios faria a reforma Tributária que precisa atingir aqueles que estão no topo da pirâmide social, cuja renda provém de dividendos, da distribuição de lucros e estão isentos de impostos”.

Denise se baseia nos lucros dos quatro maiores bancos do país (Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander), que somente no ano passado lucraram juntos R$ 69 bilhões – um crescimento de 19,88% de 2017 para 2018, o maior valor da história.

Segundo ela, Bolsonaro também esquece que no Brasil apenas 5% dos mais ricos detêm a mesma fatia de renda que outros 95%, de acordo com a Oxfam – uma entidade mundial que mede os dados da desigualdade social – e, não a diferença de R$ 979 (menor do que um salário mínimo de R$ 998), que o governo diz que é a distância entre aposentados ricos e pobres.

Ela critica ainda a ideia do governo de economizar R$ 1 trilhão em 10 anos em cima do Regime Geral da Previdência Social (RGPS), pois quase 80% dessa suposta economia serão a partir dos cortes na aposentadoria do trabalhador urbano.

“Hoje, são 23 milhões de aposentados que ganham apenas um salário mínimo e a média do valor do benefício pago é de R$ 1.300. A Previdência atinge uma população extremamente pobre e é esta parcela que não vai conseguir se aposentar no futuro porque não vai conseguir contribuir sem carteira assinada nem renda”, diz.

Reforma Trabalhista vai destruir arrecadação

Para Denise, a reforma nem precisaria ser feita porque os gastos com a Previdência vão cair de qualquer forma, pois ninguém mais vai conseguir se aposentar depois da reforma Trabalhista do golpista e ilegítimo Michel Temer (MDB-SP), que acabou com mais de 100 itens da CLT e legalizou o bico e as formas precárias de contratação.

“Temer praticamente acabou com o emprego formal, regularizou a terceirização, o bico e precarizou as relações de trabalho. Ninguém mais consegue contribuir com o INSS. E, se tiver de contribuir por, no mínimo, 20 anos, como quer este governo, vai tornar a aposentadoria para a maioria dos trabalhadores uma miragem”, diz a economista.

CUT Brasil

Foto: Gibran Mendes.