Arquivo mensal julho 2016

Escola construída dentro de presídio

Matéria divulgada em Cidades, Diário do Norte – 11 a 17/07/2016.

Bernardo Sayão ganha museu em Ceres

Matéria publicada em Cidades, Diário do Norte – 11 a 17/07/2016.

Anápolis, Catalão e Davinópolis receberam Rubens Otoni

O Mandato Popular do Deputado Federal Rubens Otoni continuou no sábado (9) a oitava edição da Caravana em Defesa da Democracia e Contra o Golpe, desta vez nas cidades de Anápolis, Catalão e Davinópolis.

O objetivo foi mobilizar a sociedade e mostrar os efeitos do processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff. A caravana de sábado iniciou no município Anápolis, onde Rubens Otoni participou ao lado do prefeito João Gomes do Encontro da Juventude em Anápolis.

Logo em seguida, o deputado esteve em Catalão participando de uma reunião de planejamento das eleições 2016 com os pré-candidatos e pré-candidatas da região. Também estava presente na atividade o prefeito petista de Nova Aurora, Vilmar Carneiro, além de outras lideranças de Cumari e Goiandira.

Ainda no sábado, Rubens Otoni visitou o município de Davinópolis, onde o tema da reunião foi alianças para as eleições 2016. No encontro participaram o presidente do PT municipal e vereador Wender Dian, o ex-prefeito Darci, o pré-candidato a prefeito Eraclides (PHS) e outras lideranças locais.

Comunicação Deputado Federal Rubens Otoni 

 

Luta contra o golpe ganhará tribunal internacional

Em nota divulgada nesta segunda-feira, 11,  o presidente nacional do PT, Rui Falcão, anuncia a criação de um Tribunal Internacional pela Democracia no Brasil, instituído por movimentos sociais brasileiros. O fórum tem o objetivo de ampliar o debate e o conhecimento sobre esta nova modalidade de golpe de estado (o impeachment sem crime de responsabilidade).

Foram convidados renomados juristas e intelectuais de vários países, com a atribuição de julgarem este procedimento de violação do regime democrático e da Constituição.

A abertura está marcada para as 18 horas do dia 19 de julho, e o encerramento, no dia seguinte, às 12 horas, no Rio de Janeiro.

Leia a íntegra da nota:

A ruptura democrática provocada pelos golpistas ao afastarem do governo a presidenta Dilma Rousseff repercutiu em todo o continente e em outros países com os quais o Brasil mantém relações diplomáticas.

Mais que isso, colocou em risco, pelo peso que o País representa, o processo de integração e instituições como Mercosul, Unasul, Celac, BRICs entre outras.

Com o objetivo de ampliar o debate e o conhecimento sobre esta nova modalidade de golpe de estado (o impeachment sem crime de responsabilidade), movimentos sociais brasileiros resolveram instituir, no Rio de Janeiro, um Tribunal Internacional pela Democracia no Brasil.

Para isso foram convidados renomados juristas e intelectuais de vários países, com a atribuição de julgarem este procedimento de violação do regime democrático e da Constituição.

A abertura está marcada para as 18 horas do dia 19 de julho, e o encerramento, no dia seguinte, às 12 horas. O evento será no Teatro Oi Casa Grande, com entrada franca.

Rui Falcão é presidente nacional do PT

 

Comunicação Deputado Federal Rubens Otoni 

Ana Carla Abrão: “Quem votou contra a renegociação da dívida dos Estados não leu o projeto”

Nota publicada na Coluna Bastidores, Jornal Opção – 10 a 16/07/2016.

O desfecho de Temer será ainda pior do que o de Cunha

Fosse o Brasil um país com uma democracia mais sólida e instituições mais isentas, a renúncia de Eduardo Cunha à presidência da Câmara seria recebida como a desmoralização última do processo de impeachment.

Responsável pela aceitação de uma denúncia estapafúrdia assinada por gente como Janaína Paschoal, Cunha é a tradução perfeita da ausência de moralidade e de legalidade que permeiam todo o processo que levou ao afastamento de uma presidenta legitimamente eleita.

A sua queda – ainda que com uma demora secular e sobretudo muito longe de ser a que realmente importa: a sua prisão – ratifica sobremaneira o vício e a injustiça do golpe que pretende cassar 54 milhões de votos soberanos.

O fato é que não vivemos num país justo. Aliás, quem mais deveria zelar pela justiça, o Supremo Tribunal Federal, contribuiu irreparavelmente pela desordem e pela instabilidade dos poderes.

Tivesse Eduardo Cunha sido tratado como realmente é, um criminoso internacional e sociopata perigoso, muito provavelmente não teríamos chegado a esse ponto.

A demora do STF em afastá-lo permitiu que um desequilibrado fizesse da casa mais importante da república um instrumento pessoal cuja única finalidade se resumiu a proteger e acobertar toda a sorte de crimes, chantagens e ameaças.

E ainda pior.

Permitiu, com a sua inépcia, que um traidor covarde, através da chancela de corruptos de igual estirpe, ocupasse um cargo que jamais teria pela vontade irrestrita e declarada do povo.

Definitivamente, a única coisa mais afrontosa que Eduardo Cunha na presidência da Câmara é, sem dúvidas, Michel Temer na presidência da República.

Se ainda resta a Cunha o discurso de ter chegado à presidência da Câmara pela via dos votos, nem isso Temer pode alegar. A ilegalidade de sua presidência é ainda mais aviltante e se aprofunda à medida que se aprofunda a ruína de quem deu início a tudo isso.

Humilhado, Eduardo Cunha saiu da presidência que tanto sonhou através de uma carta de renúncia ridícula que nada mais fez do que retratar toda a tragédia que foi a sua gestão.

Michel Temer terá, independente do que aconteça no Senado, um desfecho ainda pior.

 

Comuicação Deputado Federal Rubens Otoni 

Processo democrático definirá candidatos do PT para eleições 2016

Como é comum no Partido dos Trabalhadores, as eleições municipais de 2016 terão um processo democrático de escolha de todos os candidatos e candidatas a prefeito, vice-prefeito e vereador. Os filiados e filiadas do PT em cada município escolherão os nomes entre os pré-candidatos em um processo aberto, transparente e simples.

Os filiados e filiadas também decidem, por meio dos Encontros Municipais ou Prévias Eleitorais, qual será a tática eleitoral do partido nas eleições, as diretrizes do programa de governo municipal e a atuação legislativa e política das alianças.

Os Encontros Municipais podem ser realizados até o dia 31 de julho de 2016 em cada município, de acordo com o calendário aprovado pela Comissão Executiva. Confira aqui onde será o encontro em sua cidade.

Para ser candidato ou candidata nestas eleições municipais, é preciso ter se filiado ao PT até o dia 2 de abril de 2016, ter todas as suas contribuições partidárias pagas e assinar o Compromisso Partidário do Candidato e da Candidata Petista.

Veja quem são os pré-candidatos e pré-candidatas já inscritos.

O Encontro Municipal é uma instância de direção municipal, democrática e horizontal em que participam todos os filiados e filiadas do município ou os delegados eleitos no Processo de Eleições Diretas (PED), observando sempre a proporcionalidade, a paridade de gênero e as cotas de etnia e juventude.

As decisões dos Encontros devem, obrigatoriamente, ser homologadas nas convenções.

Para participar do encontro é necessário ter pelo menos um ano de filiação e ter todas as suas contribuições partidárias pagas. Para saber se você está apto a participar, clique aqui.

Abaixo, as respostas para algumas das dúvidas mais comuns sobre o processo para definir candidatos:

Qual é a diferença entre Encontro de Tática e Encontro de Definição de Candidaturas?

O Encontro de Tática é convocado sempre que uma proposta formal de apoio a candidato ou candidata de outro partido é apresentada. Cabe ao Encontro de Tática decidir se o PT terá candidatura própria ou fará uma aliança, apoiando um partido aliado.

O Encontro de Definição de Candidaturas é o encontro de define as diretrizes do programa de governo e atuação legislativa, a política de alianças e os candidatos ou candidatas a prefeito ou prefeita, vice-prefeito ou vice-prefeita e vereadores e vereadoras.

Nos Encontros Municipais, quando participam os delegados e quando participam os filiados?

As cidades com mais de mil filiados elegeram, no PED 2013, delegados e delegadas. Nestas cidades são os delegados e delegadas que participam do Encontro Municipal. Os delegados são indicados pelas chapas, de forma proporcional à votação de cada chapa no PED. Sempre respeitando a paridade de gênero e as cotas de etnia e juventude.

Quando são realizadas prévias?

Quando houver mais de uma candidatura inscrita para o cargo de prefeito, será convocada prévia eleitoral para que os filiados e filiadas definam o candidato através do voto direto e secreto. O Diretório Municipal, pelo voto de dois terços de seus membros, pode, em casos excepcionais, delegar a decisão sobre a escolha da candidatura a prefeito ou prefeita ao Encontro Municipal.

 

Comunicação Deputado Federal Rubens Otoni

Otoni convida para Seminário de preparação para campanha eleitoral

O Deputado Federal Rubens Otoni convida a todos (as) que participarão ativamente das eleições municipais desse ano, seja como candidato (a), dirigente ou apoiador para o Seminário Preparando Para Vencer as Eleições 2016.

O evento acontecerá em Goiânia, no dia 15 de julho (sexta-feira), a partir das 08 horas, na Assembleia Legislativa, localizada na Alameda dos Buritis, número 231, Setor Oeste.

Entre os assuntos discutidos na atividade estão: Momento Político e Eleições 2016; Planejamento de Campanha; Legislação Eleitoral; Modo Petista de Governar e Legislar; e Marketing e Estratégia Eleitoral.  O objetivo é preparara os pré-candidatos (as) e seus apoiadores para o processo de campanha eleitoral. Participe!

Confira a programação:

8:00 – Credenciamento e café da manhã

 

8:30 – Mesa de Abertura: Momento Político e Eleições 2016

– Ceser Donisete: Presidente do PT-GO

– Paulo Garcia: Prefeito de Goiânia

– João Gomes: Prefeito de Anápolis

– Adriana Accorsi: Deputada Estadual

– Humberto Aidar: Deputado Estadual

– Luis Cesar Bueno: Deputado Estadual

 

9:30 – 2ª mesa: Planejamento de Campanha

Expositor: Valdi Camarcio

Debatedora: Kátia Maria dos Santos: Vice-Presidenta do PT-GO e Secretária Estadual de Mulheres

Debatedor: Mauro Rubem: Presidente da CUT Goiás

 

11:30 – 3ª mesa: Legislação Eleitoral

Expositor: Dr. Ricardo Dias: Advogado e ex-Procurador Geral de Goiânia

Debatedor: Madson Rodrigues da Veiga: Advogado e ex-Delegado Federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA)

 

13:00 – Intervalo para almoço

 

14:00 – 4ª mesa: Modo Petista de Governar e Legislar

Expositor: Antônio Roberto Gomide: Membro do Diretório Nacional do PT e ex-Prefeito de Anápolis

Debatedora: Lucimar Nascimento: Prefeita de Valparaiso de Goiás

Debatedor: Carlos Soares: Vereador de Goiânia

 

16:00 – 5ª mesa: Marketing e Estratégia Eleitoral

Expositor: Ceser Donisete: Presidente do PT-GO

Debatedora: Criz Abreu: Secretária Estadual da Juventude PT-GO

Debatedor: Gabriel Eduardo: Vice-Presidente do DM de Luziânia e Blogueiro


18:00 – Encerramento

 

Mais informações: (62) 3092 – 1013/3013

 

Comunicação Deputado Federal Rubens Otoni 

Senado francês denuncia golpe de Estado no Brasil

“Para mim, isso foi um golpe de Estado institucional. E eu considero que o governo de Michel Temer não tem nenhuma legitimidade”, disse a senadora Laurence Cohen, do Partido Comunista Francês (PCF), em entrevista ao Movimento Democrático 18 de Março (MD18). Ela, que preside o grupo França-Brasil no Senado francês, organizou na última sexta feira (1º) a conferência “Golpe de Estado no Brasil: que tipo de solidariedade com os povos da América Latina?”.

A iniciativa contou com o apoio de vários movimentos de ​brasileiros residentes na França e franceses ligados ao Brasil – entre eles, as associações France Amérique Latine e Autres Brésils, o Coletivo Solidarité France-Brésil, os amigos do MST e o próprio MD18.

Além de Cohen, participaram da abertura do evento Marie-Christine Blandin, senadora ecologista do Norte (Hauts-de-France) e o senador Antoine Karam, representante do Partido Socialista na Guiana Francesa. Diversas personalidades da política e da academia francesas compareceram para analisar a crise política brasileira e pensar formas de estabelecer internacionalmente, ações de solidariedade entre partidos, movimentos sociais, acadêmicos e sociedade civil, capazes de denunciar as atrocidades do golpe, do governo interino e defender a democracia no Brasil, na região e no mundo.

“[O que está acontecendo] é desestabilizador para o Brasil, para todos os países da América Latina e é grave, de uma maneira geral, para a democracia no mundo e inclusive na França”, alertou Laurence Cohen, depois da fala do dirigente nacional do MST e da Frente Brasil Popular, João Paulo Rodrigues. Com uma enorme bandeira sem-terra estendida sobre a bancada, Rodrigues falou da necessidade de mobilização popular e denunciou a vexatória barganha de votos no Senado: “Romário quer a presidência de Furnas e Cristovam Buarque, o cargo de embaixador da Unesco”, para votar contra o golpe.

Em seguida, as historiadoras francesas Janette Habel (Instituto de Altos Estudos da América Latina, Sorbonne Nouvelle Paris 3) e Maud Chirio (Université Paris-Est Marne-La-Vallée) apresentaram a situação no Brasil como um inequívoco “golpe parlamentar”. Chirio destacou que a omissão de acadêmicos e pesquisadores, diante de tamanho atentado contra a democracia, não pode ser tolerada. E Habel mostrou como o caso brasileiro, assim como os golpes em Honduras (2009) e Paraguai (2012) denotam uma clara mudança na estratégia de controle regional por parte dos Estados Unidos.

Para ela, o imperialismo hoje se sofisticou e não há mais espaço para operações à la Brother Sam, quando Washington deslocou parte de seu poderio militar para as costas brasileiras para garantir o sucesso do golpe de 64. A estratégia da vez é o que se convencionou chamar de soft power: uma maquinação de bastidores que subtrai a soberania popular por meio do posicionamento de títeres do império em cargos estratégicos, enquanto se mantém uma aparência de normalidade institucional. 

Apesar da estratégia autoritária do Itamaraty sob José Serra de cercear a opinião pública internacional e tapar o golpe com a peneira, este tipo de evento de alto nível mostra que será cada vez mais difícil convencer o mundo da legitimidade do governo Temer.

Comunicação Deputado Federal Rubens Otoni 

 

Para Samper, golpe no Brasil afeta toda a América Latina

Em entrevista ao “Centro Estratégico Latino-americano de Geopolítica” (Celag) o secretário-geral da Unasul, Ernesto Samper, reforçou a necessidade urgente de garantir a continuidade democrática na América Latina.

Preocupado com a crise política no Brasil decorrente do afastamento da presidenta Dilma Rousseff, ele afirmou: “o Brasil é um ator muito poderoso na região, pesa muito, e seria ingênuo desconhecer que o que acontece no Brasil não vai, de alguma forma, afetar para bem ou para o mal o que acontece”.

Samper é ex-presidente da Colômbia e atual secretário-geral da Unasul. Na entrevista, aborda as principais questões do continente e comemorou os Diálogos de Paz em Havana, que levam ao fim o conflito de mais de 50 anos na Colômbia.

Leia abaixo a entrevista na íntegra:

Desde que assumiu a Secretaria Geral da Unasul, quais foram as principais conquistas e em que aspectos institucionais o organismo foi fortalecido?

Penso que a principal conquista é ter conseguido posicionar a Unasul como um interlocutor político dentro da região. A Unasul nasceu como resultado de uma série de processos políticos complexos no final do século passado, que suscitaram a necessidade de criar uma entidade capaz de defender conceitos políticos como o da preservação da continuidade democrática como um propósito de manter a região dentro dos standards da participação cidadã e a vigência dos direitos humanos em termos gerais. Essa defesa, claro, supõe uns níveis de interlocução política que creio que de alguma maneira eu conquistei e mantive durante o tempo que estou nesta secretaria.

Quanto ao lado institucional, temos reforçado a segunda tarefa mais importante da Unasul que é ser um gerador de políticas públicas. A Unasul funciona com 12 Conselhos Setoriais e 6 Grupos de Trabalho, e temos reagrupado estes Conselhos em função de certas prioridades. Por exemplo, há cerca de 3 agendas centrais: uma agenda social, cujo propósito fundamental é a inclusão; uma agenda econômica, cujo propósito fundamental é a produtividade, e uma agenda política, cujo propósito fundamental é a participação cidadã. A partir desta reorganização creio que temos fortalecido a presença política da Unasul.

Passados já 9 anos da criação da Unasul, como analisaria a situação atual do processo de integração ‘unasurenho’?

Eu teria que separar o que foi o momento em que assumi a Secretaria da Unasul, que foi uma espécie de “lua de mel” onde todos os países, de alguma maneira, estavam focados em conquistas específicas, havia níveis de crescimento importantes. Todos os países da região – sem exceções – haviam conseguido tirar cerca de 180 milhões de pessoas da pobreza, havia conquistas específicas e uma governabilidade relativamente garantida.

Hoje devo reconhecer que a crise econômica, de alguma forma, “contaminou” a política e as possibilidades de manter as conquistas sociais, e isso de certa forma tem se traduzido em dificuldade de governabilidade. Claro que na região se mantêm propósitos comuns e não foi renunciado um certo tipo de princípios, mas estamos com dificuldades porque a má economia atraiu uma má política e esta política tem dificultado as possibilidades de manter o equilíbrio com relação à integração.

Sabemos que dentro do grupo de países que formam a Unasul há divergências a respeito das políticas comerciais com outros países ou blocos, particularmente com os Estados Unidos e a União Europeia. Como isso afeta os processos de integração, sendo que cada vez são mais os países que estão manifestando sua vontade de avançar nestes Tratados de Livre Comércio?

Há que partir do conceito básico segundo o qual nosso propósito fundamental é articular um projeto político de região, e os temas que têm que ver com a parte da integração comercial e econômica estão em outro nível. Poderíamos sintetizar esta espécie de dicotomia dizendo que nós somos partidários de um regionalismo aberto no campo econômico, mas com uma integração política no campo regional.

Ou seja, é válido que os países, em função de seus interesses, encontrem relacionamentos através de mecanismos, como podem ser a Aliança do Pacífico, a participação dos países petrolíferos na Opep, ou, de certa forma, a liderança que o Brasil está exercendo no Brics. Tudo isso é absolutamente válido dentro de um conceito de regionalismo aberto no campo econômico e quando não houver renúncia dos princípios políticos fundamentais que falamos.

A respeito do que ocorreu no Equador com o terremoto. A Unasul conta com programas ou políticas específicas para abordar este tipo de catástrofe natural na região?

Minha experiência como ex-presidente de um país [Colômbia] no qual os desastres não são coisa excepcional, é que às vezes termina sendo maior desastre a forma de lidar com o desastre que o desastre mesmo. Por isso temos impulsionado desde a Unasul um Manual de Manejo de Riscos Naturais que já foi aprovado por consenso pelos chanceleres e pelos responsáveis no tema, que permite, daqui pra frente, que haja uma coordenação, inclusive um apoio operacional quando ocorrem situações como a do terremoto.

Viajamos com embaixadores da Unasul às zonas zero, estivemos em Manta e fomos fazer entregas de alguns apoios que conseguimos com recursos entre nós mesmos. Mas também falamos sobre certos temas, por exemplo, experiências que alguns países têm no manejo de albergues (…). Estamos trabalhando em função do que temos para oferecer, mas em síntese, há um manual que daqui pra frente vai permitir que os países respondam de forma coordenada, oportuna e pertinente às ocorrências deste tipo de desastres naturais.

Como vê o futuro do processo de paz na Colômbia? Para o senhor, quais são os principais mecanismos para alcançar um acordo de paz e também os distintos projetos de paz pelos quais clama cada um dos setores do conflito?

Eu começaria por diferenciar o que é o processo de paz com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e o processo de paz com o ELN (Exército de Libertação Nacional). No processo de paz com as Farc é um processo que tem raízes nas lutas camponesas dos anos 50, é um movimento principalmente rural, com uma clara influência internacional do que foi a União Soviética em seu momento de revolução em marcha.

O processo do ELN é, talvez, mais complexo. Tem raízes fortemente urbanas, muito vinculado às reivindicações petrolíferas dos anos 70 e 80, e agora com a mineração, profissionais – muitos deles identificados com a linha maoísta – ou seja, as duas origens dos dois processos colocam em marcha duas agendas. Porém, creio que, habilmente, por parte do governo se conseguiu, e claro, por parte dos guerrilheiros, coincidir em mais de 60% das agendas.

Vamos trabalhar com duas mesas paralelas, com duas agendas, mas com um só processo de reconciliação. E neste sentido temas como a importância que têm as vítimas nos dois processos, os mecanismos de justiça transicional para garantir a passagem do conflito ao pós-conflito, me parece que, de alguma forma, ajudam a lhes dar solidez ao processo como um todo.

Agora, claro que a paz tem inimigos e tem inimigos poderosos que já começaram a mostrar os dentes enquanto é visto que o processo avança de forma definitiva. E o fazem utilizando sua condição de poderes concretos. Não são atores políticos que estão questionando o processo de paz; são atores políticos sem responsabilidade política que, desde os meios de comunicação, desde os grupos econômicos, estão de alguma forma tratando de minar o processo por baixo. E creio que eles encontraram um momento preciso porque este é o momento de verdade, pelo menos com relação às Farc, que é quando as pessoas não tem só que pedir, mas também dar, e este é o momento em que se estão pactuando a desmobilização, a diminuição da agressividade, a reintegração, que são os temas mais difíceis para decidir. De tal maneira que sim, é um momento delicado e difícil, mas estou confiante e otimista de que vai chegar a uma conclusão bem sucedida.

Acredita que o processo de destituição aberto recentemente no Brasil contra a presidenta Dilma Rousseff pode ter impacto na estabilidade democrática da região?

É claro que o julgamento apenas começou, que neste momento esperamos que a presidenta tenha o direito de legítima defesa e, pelo que conhecemos do processo, não há uma imputação que razoavelmente possa levar a pensar hoje que se justifica sua desvinculação permanente do Poder Executivo.

Nós vamos seguir muito atentos ao processo, ao julgamento; temos exigido o direito da presidenta ter sua defesa de forma adequada. Também vamos seguir trabalhando com o novo governo os temas que têm a ver com a Unasul, claro. O Brasil é um ator muito poderoso na região, pesa muito, e seria ingênuo desconhecer que o que acontece no Brasil não vai, de alguma forma, afetar para bem ou para o mal o que acontece na região. E isto não é uma exceção.

Como o giro ideológico em vários governos da região pode influenciar na concepções de defesa e segurança, tendo em conta que a Unasul sempre buscou impulsionar uma noção diferente da imposta historicamente pelos Estados Unidos?

Espero que não tenham maior influência. A região leva há muitos anos – não só os da Unasul – tratando de caracterizar um espaço diferente, independente na matéria de defesa. Quando estava vigente o sistema interamericano os exércitos da região trabalharam com hipóteses de conflito. Os jogos de guerra eram por exemplo “o que vai acontecer se a Venezuela invadir a Colômbia, ou se o Peru atacar a Bolívia”; enfim, eram jogos de guerra que começam por criar situações de conflito entre nós mesmos.

Penso que se tem algo que avançamos em matéria de política na região é que estamos trabalhando com hipóteses de confiança: é a confiança que têm os altos poderes entre si para reunir-se e encontrar as bases de uma ponta política de segurança hemisférica que estão muito distantes de ser o que eram as velhas políticas de segurança nacional. A mim parece que é uma agenda que será mantida, entre outras coisas, porque não há nenhuma possibilidade neste momento de pensar que possa exigir um golpe militar na região.

Finalmente, quais são os principais desafios que a Unasul tem para os próximos anos?

Creio que está muito ligado ao que falamos no começo, por isso me parece uma excelente pergunta para terminar. Temos que preservar a região como uma zona de paz no mundo. Em um mundo cheio de conflitos étnicos, religiosos e próprios da Guerra Fria, não deixa de ser uma boa notícia que nossa região seja um oásis de paz; não é que não existam conflitos, mas estes não buscam solucionar-se com violência, e daí vem a importância de encerrar o conflito colombiano, que é o último conflito armado importante que ainda existe no hemisfério.

Segundo, temos o desafio de manter a continuidade democrática, e esta não é uma tarefa fácil porque, como foi dito, a crise econômica complicou a política. O maior desafio neste momento na região, ou os maiores desafios, são em primeiro lugar evitar que a crise econômica comece a atingir as pessoas que tiramos da pobreza nos últimos anos. Há cifras já preocupantes de que, nestes meses de crise econômica, já há mais de 8 ou 10 milhões de pessoas que haviam deixado de ser pobres voltando a sê-lo, e em segundo lugar, superar as condições deste modelo extrativista de desenvolvimento que nos levou a viver tirando da terra por cima e por baixo sem que tenhamos sido capazes de agregar valor a isso que temos.

E claro, o grande projeto que estamos trabalhando com a ajuda de amigos, como Jacques Ramírez, que é o projeto da cidadania sul-americana. A integração não é só um problema de mobilidade das coisas ou dos serviços, mas é essencialmente um problema de mobilidade de pessoas e temos que outorgar direitos a estas pessoas em mobilidade. E se alguém começa a fazer uma radiografia da América do Sul se dá conta de que se algo está caminhando bem hoje em dia é o interesse que têm os sul-americanos por não ir ao exterior. E definem o exterior como tudo o que há por fora da América do Sul. Então, que haja sul-americanos que pensem que seu país é a América do Sul, e que o que queiram é migrar dentro de seu grande país e buscar oportunidades e mudar dentro de seu país, dentro de seu grande país, por creio que temos muitas possibilidades de fortalecer a integração.

 

Comunicação Deputado Federal Rubens Otoni